Testagem de criança com autismo

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Introdução

O TEA é um quadro que se expressa por alterações em 2 grandes domínios do neurodesenvolvimento:

  1. Comunicação e interação social
  2. Padrão de atividades, que se mostra com características restritas, repetitivas ou estereotipadas

Ele surge precocemente no desenvolvimento da criança, em geral logo após o primeiro ano de vida, e há um prejuízo significativo na vida de quem é acometido.

Quem é acometido pelo TEA?

  • Atualmente, o TEA acomete 1 em cada 59 crianças
  • É 5 vezes mais comum em meninos
  • O número de crianças diagnosticadas vem aumentando – tem se pensado mais no diagnóstico
  • A maioria das crianças é, ainda, diagnosticada após os 4 anos de idade, apesar de o diagnóstico ser possível a partir dos 2 anos
  • Quando mais cedo se descobre o quadro, melhor a evolução
  • Irmãos de pacientes com TEA tem risco aumentado de também desenvolver o quadro
  • No primeiro ano de vida, os sinais são muito inespecíficos e tem pouca validade para se fazer o diagnóstico

Quando devo suspeitar de TEA?

Temos alguns sinais de alerta que, se presentes em crianças maiores de 2 anos de idade, indicam uma avaliação por especialista:

  • Não mostra objetos
  • Não coordena os gestos com o que quer expressar
  • Não compartilha interesses ou divertimentos
  • Demonstra movimentos repetitivos com objetos
  • Não mantem contato visual
  • Não responde ao próprio nome
  • Não sorri
  • Apresenta uma prosódia (as variações de entonação da voz) estranha
  • Apresenta movimentos repetitivos ou postura corporal estranha
  • Não aponta para objetos ou pessoas
  • Não brinca com objetos variados
  • Não fala utilizando consoantes

Qual a causa do TEA?

  • Genética: há grande influência genética no desenvolvimento do TEA
  • Anatômica: Há alteração em várias regiões cerebrais, o que se expressa como melhor processamento de detalhes, mas pior registro de informações holísticas (por exemplo, a criança consegue perceber muito melhor que outros os contornos de um quebra-cabeça, mas não que as peças juntas formam uma figura), bem como prejuízo em socialização
  • Importante frisar que NÃO há relação de TEA com qualquer vacina – o estudo que fez essa associação foi fraudulento e outros estudos não demonstraram qualquer relação entre eles
  • O uso de ácido fólico na gestação pode reduzir o risco de autismo na criança e, por isso, é muito importante seu uso no período gestacional

Quais os fatores de risco para autismo?

  • Ter um irmão com TEA
  • História familiar de doenças mentais (esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar, entre outros)
  • Idade do pai ou da mãe maior que 40 anos
  • Baixo peso ao nascer (menos de 2,5 kg)
  • Prematuridade (nascer com menos de 35 semanas)
  • Precisar de UTI neonatal quando nasceu
  • Malformações
  • Sexo masculino
  • Ameaça de aborto nas primeiras semanas de gestação

Existem doenças associadas ao TEA?

Sim, algumas doenças. Entre elas, temos duas condições que tem uma relação importante com o TEA:

  • Déficit intelectual, que ocorre em 40% das crianças com TEA
  • Epilepsia, que pode ocorrer em até 25% das crianças com TEA

Quais os sintomas que aparecem no TEA?

Interação e comunicação social

  • Não brinca com amigos (prefere brincar sempre sozinho)
  • Não olha nos olhos
  • Não busca compartilhar experiências
  • Gesticula pouco e tem poucas expressões faciais
  • Tem dificuldade em entender relações sociais (indico, para uma compreensão interessante desse sintoma, o livro `O estranho caso do cachorro morto` de Mark Haddon)
  • Atraso na fala
  • Ecolalias, que são repetições de frases ou palavras que ouviu
  • Dificuldade em iniciar ou manter uma conversa
  • Brincadeiras sem função – a criança pode não dar uma função adequada ao brinquedo, jogando ele no chão, se interessando somente por partes dele (ex. interesse restrito na roda do carrinho) ou enfileirando brinquedos sem um sentido claro
Criança com TEA pode enfileirar brinquedos
  • Não imita o que lhe é mostrado
  • Demonstra uma linguagem repetitiva ou estereotipada

 

Padrão restrito, repetitivos ou estereotipados do comportamento ou interesses

  • É muito rígido com a rotina (não aceita mudar o horário das atividades, fica muito irritado com mudanças na escola ou no ambiente)
  • Tem movimentos repetitivos e sem função clara (chacoalha as mãos, anda na ponta dos pés, cheira objetos, roda no próprio eixo)
  • Preocupa-se exclusivamente com partes de objetos e não com o todo

 

Como é feito o diagnóstico?

  • Se houver suspeita, o paciente deve ser encaminhado a um psiquiatra com experiência na área da infância ou a neurologista infantil
  • É importante que a história englobe vários ambientes e todo o neurodesenvolvimento daquela criança
  • O diagnóstico é CLÍNICO, mas alguns exames podem ser solicitados

Como é o tratamento?

  • O tratamento deve ser personalizado e contextualizado para cada paciente
  • A abordagem do TEA é, sempre, multidisciplinar
  • Logo, a criança deverá ser acompanhada por:
    • Psicólogo (há grande ênfase na área comportamental, com o método ABA)
    • Fonoaudiólogo (trabalho no desenvolvimento da linguagem e comunicação como um todo
    • Psiquiatra
    • Psicopedagogo ou abordagem direcionada na escola para necessidades específicas do paciente
  • Em alguns casos, pensamos no uso de medicações, que visam melhorar episódios de agressividade ou agitação importante e o sono (sintomas que podem prejudicar o desenvolvimento adequado da criança).
  • Porém, é importante frisar que o paradigma do tratamento é a estimulação precoce oferecida por uma abordagem multidisciplinar

 

Dr. Jonathan R. Dionizio

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