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Depressão em crianças e adolescentes

Dr. Jonathan Dionizio

INTRODUÇÃO

A depressão pode afetar desde crianças pré-escolares até idosos.

Apesar de a frequência ser maior em adultos, crianças e, principalmente, adolescentes são afetados também, com grande repercussão em relações com amigos e familiares, rendimento escolar, além de risco aumentado de abuso de substâncias, novos episódios depressivos ao longo da vida e tentativas de suicídio.

SINTOMAS GERAIS

Os sintomas da depressão em crianças e adolescentes são os mesmos observados em adultos. Porém, o modo como eles aparecem depende da idade, gênero e perfil cultural e educacional.

Um profissional de saúde mental irá considerar um quadro depressivo quando, em um período maior que 14 dias, na maior parte do tempo e na maior parte dos dias, ocorrer:

  • Tristeza ou irritabilidade
  • Perda do prazer
  • Alteração no sono (dormir demais ou insônia)
  • Aumento ou redução de apetite
  • Piora cognitiva
  • Pensamentos de culpa ou de menos valia
  • Redução da energia
  • Agitação ou retardo psicomotor
  • Pensamentos de morte ou de suicídio

Porém, existem algumas diferenças em crianças e adolescentes.

SINTOMAS NAS CRIANÇAS

Nas crianças, é muito mais comum observar irritação, pois ainda tem poucos recursos para explicar os próprios sentimentos.

Apesar desse estado de humor, elas podem variar bastante ao longo do dia e, quando estão com amigos e em situações mais agradáveis, os sintomas podem ficar camuflados.

Também são comuns queixas como dores de cabeça, dor de barriga e outras queixas de desconforto corporal. O mais comum, nesses casos, é chamar a atenção da escola ou dos pais por piora do comportamento ou o surgimento de ansiedade.

SINTOMAS NOS ADOLESCENTES

Já nos adolescentes, a irritação também está muito presente. Tendem a ser mais reservados e guardam os sintomas depressivos para eles mesmos. A família, em geral, percebe quando ocorre uma intensificação dos sintomas ou por busca do próprio ou da própria jovem.

Também oscilam bastante de acordo com a situação, o que pode transmitir para a família a ideia que o quadro é mais leve do que realmente é.

Dormem mais que o normal, também trazem queixas corporais e ficam muito mais sensíveis à rejeição. É comum, também, ocorrer automutilação, com cortes nos braços ou pernas como uma forma de reduzir a angústia, o sofrimento. Em geral, esse é um sintoma que faz os pais buscarem um atendimento.

Nesses, ainda, as características da personalidade ficam acentuados e, por isso, o jovem pode parecer bem diferente do que antes do início da depressão.

CAUSAS

Muitas causas são apontadas para a depressão. As evidências apontam para uma junção de vários fatores como o genético, eventos traumáticos, relações familiares, características de escola e vizinhança, entre outros.

Estima-se que, até os 16 anos de idade, 12% das meninas e 7% dos meninos já apresentaram um quadro depressivo. Em crianças, ocorre igualmente entre meninos e meninas. Porém, após a puberdade, passa a ocorrer 2 vezes mais em meninas.

Um dado importante é que a depressão é mais comum em pessoas com doenças crônicas (asma persistente, fibrose cística) e em minorias.

CURSO

A depressão é um quadro que tende a retornar ao longo da vida e, por isso é tão importante o acompanhamento.

TRATAMENTO

A depressão na infância e adolescência e tratada de modo um pouco diferente do que no adulto.

A psicoterapia ganha destaque e é utilizada no tratamento de quadros leves (quase sempre) e moderados (com ou sem associação com a medicação).

Em quadros moderados, pensa-se em um tratamento psicoterápico por 8 a 12 semanas. Se ocorrer melhora dos sintomas, o tratamento é bem sucedido e não precisa ser escalonado. Agora, se não ocorrer evolução ou surgir piora dos sintomas, pensa-se no uso de medicações.

Em quadros graves, com risco de suicídio, sintomas psicóticos (alucinações, delírios), muitos sintomas ou muito prejuízo funcional, o tratamento de escolha é a associação de psicoterapia e medicação.

Ademais, a internação hospitalar pode ser considerada em quadros graves, principalmente quando ocorrer risco ao paciente ou a pessoas de seu entorno.

Considerando as medicações, utilizam-se os antidepressivos. A busca é redução total dos sintomas.

Há 2 fases: aguda e manutenção. Na aguda, busca-se a redução dos sintomas e, atingindo-se uma dose adequada, segue-se nessa mesma dose na fase de manutenção.

O tempo médio da fase aguda é 2 a 3 meses e a manutenção recomendada é de 6 a 12 meses.

Após o período de manutenção, pode-se considerar a redução visando a retirada gradual da medicação. Se sintomas não retornarem, considera-se o episódio como tratado.

Porém, em situações de quadros recorrente (mais de um episódio), o tempo de manutenção vai se estender. Isso será avaliado individualmente.


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