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Automutilação – Devo me preocupar se meu (minha) filho (a) se corta?

INTRODUÇÃO

Automutilação! Esse tema, tão importante para a saúde mental, é o assunto da discussão de hoje. Se você ou alguém próximo a você já passou por uma fase em que isso estava acontecendo, fica comigo para entender um pouco melhor o que vem ocorrendo.

A gente vai passar por motivações, quem é afetado por essa condição, tratamentos e, no final, eu darei algumas dicas sobre comportamentos que a pessoa pode ter para diminuir a lesão ocasionada pela automutilação.

EPIDEMIOLOGIA

A automutilação é uma condição que acontece com muita frequência na população geral. Em amostras de comunidade, ocorre em cerca de 10% dos jovens. Mas, considerando amostras clínicas, pode chegar a 50%!

CAUSAS

As causas mais comuns são transtornos de humor (depressão, transtorno bipolar), transtornos de personalidade (personalidade borderline, personalidade histriônica) e sensação de desesperança. Mais comumente, inicia-se na adolescência, entre 12 e 14 anos de idade. Tende a permanecer ao longo da adolescência e tende a remitir no início da idade adulta.

A automutilação pode se associar a instabilidade emocional (bullying, dificuldades escolares, conflitos familiares, dificuldades em relacionamentos), transtornos do neurodesenvolvimento (transtorno do espectro autista, deficiência intelectual), sintomas psicóticos (alteração da percepção e interpretação da realidade) e privação (fome, situações de abuso ou vulnerabilidade).

QUADRO CLÍNICO

As formas mais comuns de expressão da automutilação são lesões na pele (cortes em braços e/ou pernas, queimaduras, batidas), engolir objetos pontiagudos e ingestão de substâncias.

Existem várias hipóteses para a automutilação e uma que se expressa com relevância são as funcionais. Elas avaliam qual a função que aquele comportamento tem para o indivíduo.

Entre elas, temos:

• Regulação de afeto (para lidar com a angústia, machuca-se para localizar e diminuir a angústia)

• Antidissociação (para não se dissociar / desligar da situação que vivencia, o corte torna o indivíduo presente)

• Antissuicídio (para diminuir os pensamentos suicidas, o indivíduo se corta ou se machuca buscando uma atenuação)

• Definição de limites (a pele é o limite entre interno e externo) • Influência interpessoal (o corte influencia o comportamento de outras pessoas) • Autopunição (busca se punir com o corte)

• Busca de sensações (sensações novas) Existem alguns fatores de risco importantes. Entre eles, temos o sexo feminino, adolescência, bullying, eventos negativos de vida (estresse, conflitos, perdas), sintomas de outros quadros psiquiátricos (depressão, mania, sintomas psicóticos).

O risco de suicídio deve ser avaliado sempre, pois há um risco aumento de tentativas de autoextermínio. Os pais ou cuidadores devem ser incluídos, mas o(a) jovem é protagonista no tratamento.

TRATAMENTO

O acompanhamento visa alguns pontos específicos, como o avanço da automutilação, melhorar qualidade de vida, identificar riscos e identificação de comorbidades.

O tratamento de escolha é a psicoterapia. O psiquiatra tem o papel de buscar comorbidades, determinar fatores de risco, entender desencadeantes, fatores de melhora e piora. Não há medicações específicas para automutilação e, sim, para as comorbidades associadas.

Comportamentos alternativos podem ser utilizados na automutilação como forma de aliviar o comportamento.

• Desejo baixo de automutilação, atividades de distração, como brincar com um animal de estimação, ouvir música e cantar, ler, escrever, pintar, chamar um amigo, contar respirações, tomar um banho quente, dar um passeio para estar perto outras pessoas, usar técnicas de meditação ou relaxamento, ouvir uma fita ou vídeo de comédia, repetir 5 coisas que se vê, cheira, toca, ou saboreia no ambiente atual .

• Desejo médio de se automutilar: comportamento altamente ativador, estimulação sensorial intensa ou dolorosa fraca sem lesão física, como comer limão, amarrar um elástico no pulso, correr, andar de bicicleta, fazer abdominais, bater em travesseiros, dançar, usar uma caneta de ponta de feltro vermelha para marcar regiões da pele onde o corte geralmente ocorre, apertar uma bola anti-estresse, fazer barulho, gritar em um travesseiro, rasgar papel (listas telefônicas antigas, jornais)

• Desejo alto de se automutilar: estimulação dolorosa moderada sem lesão física, por exemplo mastigar uma pimenta jalapeño, tomar um banho muito frio, mergulhar as mãos em água gelada, andar com ervilhas secas nos sapatos, esfregar gelo na pele onde geralmente ocorre o corte.

Dr. Jonathan Dionizio


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