Ansiedade na infância

Transtornos ansiosos da infância e adolescência

Introdução

Antes, acreditava-se que os transtornos ansiosos na infância e adolescência eram raros e de baixo impacto, o que fez retardar pesquisas dessas condições. Logo, até bem pouco tempo atrás, o conhecimento desses quadros era derivado das pesquisas em adultos.

Nos últimos 15 anos, com o aumento da produção científica, vem se construindo uma melhor compreensão da natureza, desenvolvimento e tratamento desses transtornos.

Comparado com os adultos, os adolescentes e principalmente as crianças tendem a apresentar quadros sem limites definidos (transtorno de pânico, ansiedade generalizada, etc.) e, assim, o tratamento se volta para a ansiedade como um todo.

Quem é afetado?

Os transtornos ansiosos ocorrem em 5% das crianças e adolescentes. A partir dos 5 anos de idade, já aparece uma tendência maior de meninas desenvolverem o quadro (1,5 a 2 vezes mais).

É muito difícil determinar, exatamente, o início dos sintomas e muitos pais apontam que a criança parece ter sido sempre ansiosa, desde o nascimento. Estima-se, no entanto, que alguns quadros tem um intervalo médio de início:

  • Fobia de animais: 6-7 anos
  • Ansiedade de separação: 7-8 anos
  • Ansiedade generalizada: 10-12 anos
  • Ansiedade social: 11-13 anos
  • Transtorno obsessivo compulsivo: 13-15 anos
  • Transtorno do pânico: 22-24 anos

Em geral, são quadros estáveis e tendem a não remitir espontaneamente. Ainda, a persistência de sintomas aumenta o risco de desenvolvimento de depressão, outros transtornos ansiosos e abuso de substâncias ao longo da vida.

Como é a ansiedade?

A principal característica da ansiedade é a evitação e, o que diferencia os quadros são os gatilhos dessa condição. Evitam-se situações e/ou lugares, o que leva a uma hesitação, incerteza ou reclusão. A evitação é acompanhada pelo medo, aflição ou timidez.

Apesar de esses sintomas serem comuns, crianças pequenas podem ter dificuldades em verbalizar suas emoções por conta de seu próprio estágio de desenvolvimento.

A ansiedade ocorre devido a uma expectativa de que algo perigoso ou um evento negativo está prestes a ocorrer. Essa compreensão é importante, pois nem sempre evitar algo é ansiedade.

Por exemplo: vamos imaginar duas crianças que não querem ir à escola. A primeira não quer ir porque prefere ficar em casa jogando videogame com o irmão. Já a segunda não quer ir pois acredita que os amiguinhos estão caçoando dela na sala, mesmo sem evidências reais que isso realmente acontece. Somente a segunda, nesse caso, apresenta características ansiosas.

Todo quadro ansioso envolve uma antecipação de ameaça, que se expressa com preocupações, ruminações (reconsideração periódica sobre o mesmo assunto) ou pensamentos negativos.

A criança geralmente irá reportar uma gama de sintomas físicos associados, os quais expressam um estado de alerta. Entre eles, podemos citar a dor de cabeça, dor na barriga, náuseas, vômitos, diarreia e tensão muscular. Ainda, insônia é algo comum nesses quadros.

Há uma forte relação entre os quadros ansiosos e a depressão, da mesma forma que 75% dos casos tem características de mais de um transtorno ansioso ao mesmo tempo.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico é feito com a avaliação de um psiquiatra com experiência na área da infância e adolescência através da entrevista com os pais ou cuidadores responsáveis e com a criança ou adolescente isoladamente. É possível a utilização de questionários clínicos estruturados e é importante a observação do comportamento em consulta associado ao relatado em casa e na escola.

As informações podem ser conflituosas entres os pais e a criança.

Quem tem risco de desenvolver um transtorno ansioso?

É comum observar vários transtornos ansiosos na família de uma criança ou adolescente com o diagnóstico. Há evidências de transmissão genética, mas não é o único componente no desenvolvimento desses quadros.

Algumas características do temperamento da criança associam-se com o desenvolvimento de transtornos ansiosos. Grosso modo, elas demonstram um comportamento inibido, recluso ou uma timidez importante.

Entre elas, podemos citar: evitação de novidades, demorar pra se soltar com estranhos e amigos, não sorrir, ficar muito próximo de figuras de apego (pai, mãe, avós), não falar ou ter pouco contato visual em algumas situações e não se interessar por explorar situações novas. Crianças com menos de 7 anos com essas características tem risco 2 a 4 vezes maior de abrir um quadro ansioso.

A relação dos pais com a criança também exerce um papel relevante. É comum observar superproteção e intrusão. O medo também pode ser aprendido por espelhamento. Um bebê de 9 meses, por exemplo, pode aprender a ter medo de cachorro por ver a reação de sobressalto da sua mãe toda vez  que ela se encontra com um.

O abuso também pode aumentar a ansiedade em crianças, tanto o sexual como o físico e psicológico. Eventos de vida, como o bullying ou perdas também colaboram com o desenvolvimento de sintomas.

Como é o tratamento?

Em casos leves sem prejuízos importantes na escola, nas relações sociais, sem comorbidades psiquiátricas importantes como a depressão e com bom suporte social, a primeira linha de tratamento seria de baixa intensidade, com a recomendação de biblioterapia – a leitura como forma de redução sintomática. A acupuntura também seria uma opção de tratamento.

Porém, se os sintomas persistirem ou essa abordagem não for recomendada ou aceita, o próximo passo é o tratamento psicológico, principalmente na linha da terapia cognitivo comportamental (TCC).

Se não houver melhora após um período de 12-20 semanas de TCC, o próximo passo é considerar o uso de medicações. É importante considerar que medicações são evitadas em crianças pequenas, principalmente abaixo dos 6 anos de idade.

Dr. Jonathan R. Dionizio

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